Você sabe reconhecer quando alguém está tendo um AVC?

Fraqueza e dificuldade de fala são alguns dos sintomas de um acidente vascular cerebral. Saiba quais são os outros e o que você deve fazer se presenciar alguém neste caso de emergência.

O acidente vascular cerebral é uma ocorrência de saúde grave e o paciente deve ser imediatamente encaminhado para uma emergência. Entre os principais sintomas estão a dificuldade de falar, fraqueza e adormecimento em um dos lados do corpo. Com informações do iSaúde Bahia, temos uma entrevista com o neurologista Dr. Humberto Castro Lima Filho sobre o assunto. Confira:

 

iSaúde Bahia – O que podemos definir como um AVC?
Dr. Humberto Castro Lima Filho – A primeira coisa a saber é que o AVC é uma EMERGÊNCIA médica e o paciente precisa ser levado imediatamente a um hospital. O AVC ou acidente vascular cerebral é conhecido pela população geral como derrame. É um problema dos vasos cerebrais, sobretudo das artérias do cérebro. É uma doença grave que deve ser tratada como emergência médica. Ainda é uma das principais causas de morte no país.

Divide-se em dois tipos principais: o AVC isquêmico que representa a maioria dos casos (85%) e o AVC hemorrágico que corresponde a 15% dos casos. No AVC isquêmico ocorre a interrupção abrupta do fluxo sanguíneo de determinada região cerebral e, consequentemente, a perda da função dessa região, o que provoca um déficit neurológico súbito. Se o fluxo não for restabelecido rapidamente, ocorre morte neuronal e necrose da região que sofreu isquemia o que é referido pelos médicos como a área de infarto cerebral. No AVC hemorrágico, por sua vez, acontece o “rompimento” de um vaso cerebral, o que causa extravasamento de sangue e compressão de estruturas cerebrais, provocando sintomas neurológicos agudos.

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iSB – Quais as causas?
Dr. Humberto Castro Lima Filho – Os AVC’s compartilham os mesmos fatores de risco das doenças cardiovasculares, ou seja, hipertensão, diabetes, dislipidemia (colesterol alto), tabagismo, obesidade, sedentarismo, entre outros. Diante de um paciente com AVC, o médico tenta modificar esses fatores com medidas medicamentosas ou educativas. No caso do AVC isquêmico é importante investigar qual o seu mecanismo, isto é, determinar se a lesão foi de um pequeno vaso cerebral, o que é conhecido como AVC lacunar, ou se foi causado por aterotrombose de um grande vaso cerebral ou, ainda, se foi causado por uma arritimia cardíaca. A depender do mecanismo, o médico vai escolher o melhor tratamento para prevenir novos eventos.

Quanto ao AVC hemorrágico, a principal causa é a hipertensão arterial sistêmica, portanto, é fundamental obter um bom controle da pressão arterial. Porém, também existem outras causas como tumores, malformações vasculares, angiopatia amiloide, uso de drogas ilícitas, entre outras. É bom chamar a atenção para o fato de que existem dois tipos de hemorragias intracranianas. A hemorragia intraparenquimatosa (HI), aquela na qual ocorre sangramento dentro do parênquima cerebral, ou seja, dentro da parte solida do cérebro. Já na hemorragia subaracnoide (HSA) ocorre sangramento na superfície cerebral, logo abaixo da aracnoide, uma das meninges que recobrem o cérebro, e é causada pelo rompimento de um aneurisma cerebral.

“Quanto ao AVC hemorrágico, a principal causa é a hipertensão arterial sistêmica, portanto, é fundamental obter um bom controle da pressão arterial”.

iSB -Qual o mais grave, o AVC isquêmico ou hemorrágico?
Dr. Humberto Castro Lima Filho – Ambos são graves, a depender da extensão. Quanto maior o AVC, mais grave ele é. Porém, as estatísticas demonstram que os AVC’s hemorrágicos têm um pior prognóstico e uma maior mortalidade.

iSB -Quais sintomas de um AVC isquêmico e de um AVC hemorrágico?
Dr. Humberto Castro Lima Filho – A característica principal do AVC é o aparecimento de um déficit neurológico súbito. As principais manifestações são: fraqueza de um lado do corpo (hemiparesia), dificuldade para falar (disartria ou afasia), boca torta (desvio de comissura labial), adormecimento de um lado do corpo (hemihipoestesia), desequilíbrio e perda da coordenação (ataxia) ou perda do campo visual de um lado (hemianopsia). Os sintomas dependem da área cerebral afetada, mas a característica comum é que os aparecem de uma hora para outra, ou seja, o paciente está bem e, de repente, aparece o sintoma.

“Os sintomas dependem da área cerebral afetada, mas a característica comum é que os aparecem de uma hora para outra, ou seja, o paciente está bem e, de repente, aparece o sintoma”.

Se você suspeitar que alguém está sofrendo um AVC, pode pedir para que pessoa sorria e verificar se está com a boca torta; levantar os braços para verificar se está com algum lado mais fraco e repetir uma frase para checar se a pessoa está falando enrolado. Se você notar um problema em qualquer um destes testes, deve imediatamente contatar a SAMU, 192, para que o paciente seja levado imediatamente ao hospital para tratamento. Repetindo, AVC é uma EMERGÊNCIA médica.

No hospital vai ser realizada uma tomografia ou ressonância magnética de crânio, pois este é o único jeito de diferenciar um AVC isquêmico de um hemorrágico e, com isso, vai ser realizado o tratamento específico para cada patologia.

iSB – Quais as principais sequelas ocasionadas pelo AVC? Por que elas ocorrem?
Dr. Humberto Castro Lima Filho – Como o AVC pode levar a um dano irreversível de determinada região cerebral, o paciente pode ficar com alguma sequela, seja motora (fraqueza de um lado do corpo ou perda da coordenação), sensitiva, de fala (dificuldade para falar ou compreender) ou um defeito do campo visual. A maioria dos pacientes apresenta algum grau de recuperação, pois o cérebro tem a capacidade de se reorganizar e, é importante, sempre oferecer programas de reabilitação com fisioterapia, fonoterapia e terapia ocupacional.

iSB – Existe como prevenir? Quais os principais fatores de risco?
Dr. Humberto Castro Lima Filho – Para prevenir o AVC, deve-se controlar os fatores de risco cardiovasculares. Alimentar-se adequadamente evitando gorduras e sal. Manter o peso adequado. Praticar atividade física. Não fumar. Controlar bem o diabetes. Controlar bem a hipertensão. Controlar o colesterol. Caso o paciente já tenha tido um AVC, é importante que o caso seja acompanhado por um neurologista para que ele escolha qual melhor medicação para prevenção secundária.

Como mensagem final, quero lembrar novamente que o AVC é uma EMERGÊNCIA e, diante da sua suspeita, ligue imediatamente para SAMU 192.

Fonte: iSaúde Bahia

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