Mês de Conscientização da AIDS

Dezembro é o mês de Conscientização da AIDS ou SIDA (Síndrome da imunodeficiência adquirida) em inglês: acquired immunodeficiency syndrome – (AIDS)

 

História da origem da AIDS

Acredita-se que a AIDS surgiu no Congo em 1920 mas ela se tornou conhecida em 1981 nos Estados Unidos, quando começaram a surgir as primeiras pessoas afetadas, que apresentavam sarcoma de Kaposi, um tipo raro de pneumonia e um grave comprometimento do sistema imune. Apesar de ainda não existir um medicamento que possa curar a AIDS ou eliminar o vírus HIV, com o avanço da medicina a pessoa pode viver muitos anos, desde que tenha todos os cuidados necessários.

A história resumida da AIDS é a seguinte:

1920: O vírus HIV encontrava-se no Congo, provavelmente em primatas, porque estes normalmente possuem vírus da mesma família do HIV. Chimpanzés africanos possuem vírus 98% semelhante ao HIV que se manifesta em humanos, e por isso acredita-se que eles tenham um antecedente comum.

1981: Primeiros casos de pessoas com grave comprometimento do sistema imune, que morreram com doenças pouco comuns. Todos eram americanos homossexuais e apresentaram Sarkoma de Kaposi, um tipo de câncer que ficou conhecido como câncer gay.

1983: Cientistas franceses conseguiram identificar o vírus da AIDS, o HIV – 1 no sangue e nas secreções corporais: leite materno, secreções vaginais e sêmen, por onde a doença é transmitida.

1986: Foi identificado um outro vírus do HIV, que foi chamado de HIV -2 e também foi criado o 1º medicamento contra AIDS, o azidovudina – AZT – um antirretroviral que apesar de não eliminar o vírus HIV, ajudava a impedir que o vírus se multiplicasse dentro do corpo. Surgiram os primeiros casos na Europa.

1996: Foi criado o 1º coquetel de medicamentos, composto por 3 remédios que ajudam a combater a replicação do vírus, aumentando o tempo de vida dos soropositivos. Surgiram casos na África, Índia e China.

2006: Foi descoberto que a circuncisão, que é corte do prepúcio que recobre a cabeça do pênis, diminui em 50% as chances dos homens serem contaminados com HIV.

2010: Foi descoberto que um gel vaginal contendo medicamentos antirretrovirais, quando usado corretamente por mulheres, diminui em 50% as chances das mulheres serem contaminadas com HIV.

2011: Foi descoberto que se as pessoas soropositivas fizessem o tratamento logo depois de serem contaminadas, diminuía grandemente as chances de contaminar seus parceiros sexuais.

 

Como é transmitido?

O vírus HIV encontra-se no sangue e nos fluidos corporais: leite materno, secreções vaginais e sêmen. Assim, a pessoa pode ser contaminada com o vírus HIV quando entra em contato direto com essas secreções, o que pode acontecer das seguintes formas:

Durante a amamentação, por isso mulheres HIV + não podem amamentar e seus filhos devem nascer de cesariana programada para que não sejam contaminados;

Durante a gravidez, quando a mulher não sabe que tem o vírus, porque os medicamentos antirretrovirais na gravidez e durante o parto diminuem muito as chances do bebê ser contaminado;

Sexo sem camisinha com pessoa HIV +, seja vaginal, oral ou anal;

Partilha de seringas para uso de drogas injetáveis;

Contato direto com sangue da pessoa HIV +, em acidente de trânsito, cortes ou outros acidentes com objetos perfurantes como facas, seringas, tesoura ou bisturi, por exemplo.

Os fatores que aumentam o risco de transmissão são: carga viral alta, AIDS propriamente dita, sexo anal receptivo, sexo durante a menstruação, sexo com pessoas com cancro mole, sífilis e herpes genital.

 

Condutas que não transmitem a Aids

É importante quebrar mitos e tabus, esclarecendo que a pessoa infectada com HIV ou que já tenha manifestado a AIDS não transmitem a doença das seguintes formas:

  • Sexo, desde que se use corretamente a camisinha.
  • Masturbação a dois.
  • Beijo no rosto ou na boca.
  • Suor e lágrima.
  • Picada de inseto.
  • Aperto de mão ou abraço.
  • Sabonete/toalha/lençóis.
  • Talheres/copos.
  • Assento de ônibus.
  • Doação de sangue.
  • Pelo ar.

 

Sintomas de HIV

Logo ao ser contaminado com o vírus HIV o corpo pode reagir, manifestando sintomas como:

  • Cansaço, febre baixa, irritação na garganta,
  • Dor de cabeça, suor noturno, diarreia,
  • Candidíase oral, dor nos músculos e articulações, sensibilidade à luz,
  • Enjoo, vômito, perda de peso, pequenas feridas dentro da boca.

Estes sintomas duram no máximo 14 dias, e podem ser facilmente confundido com uma simples gripe. Como estes sintomas não chamam atenção e parecem corriqueiros é normal a pessoa só descobrir que tem o vírus meses ou anos depois da contaminação ao realizar um exame de sangue específico para HIV

Mas mesmo se realizar os exames para HIV nessa fase, o resultado será negativo.

Normalmente estes sintomas não duram mais de 1 semana e depois desaparecem completamente. O vírus passa a se replicar dentro do corpo humano de forma silenciosa, durante 8 à 10 anos, sem gerar nenhum sintoma, e esta fase é chamada de Assintomática.

 

Sintomas da AIDS

Os primeiros sintomas próprios de AIDS surgem quando o sistema de defesa do corpo encontra-se muito comprometido, o que favorece o surgimento de doenças. Nessa fase, surgem sintomas como:

  • Enjoo, vômito, diarreia,
  • Suor noturno, fadiga,
  • Sinusite, candidíase oral e vaginal,
  • Inchaço dos gânglios linfáticos,
  • Emagrecimento evidente.

A partir daí a pessoa parece muito doente e o seu sistema imune estará cada vez mais comprometido, dando surgimento à doenças oportunistas como toxoplasmose, sarcoma de Kaposi, hepatite, herpes e candidíase, por exemplo.

 

Diagnostico

A única forma de confirmar que a pessoa está infectada com o vírus HIV, e que pode desenvolver as doenças relacionadas à AIDS, é fazendo um exame de sangue específico chamado anti-HIV 1 e anti-HIV 2. Esse exame de sangue está disponível em todas as clínicas, hospitais e laboratórios, e podem ser realizados gratuitamente pelo SUS, nos centros de testagem espalhados pelo país.

Esse exame deve ser realizado por todas as mulheres que desejam engravidar, faz parte do pré-natal de todas as gestantes acompanhadas no SUS ou em clínicas particulares, e todo sangue doado é testado. No entanto, qualquer pessoa pode realizar o teste da AIDS, se achar que pode ter tido contato com vírus porque usou drogas injetáveis ou teve relações sexuais sem camisinha, por exemplo.

O melhor momento para fazer o teste do HIV é entre 40 e 60 dias após o comportamento de risco, isto é, depois do momento em que a pessoa acha que pode ter sido contaminada, porque caso o teste seja feito antes desses 40 dias, seu resultado pode estar errado.

 

O que o HIV faz ao corpo?

O vírus ataca linfócitos específicos chamados de células T auxiliares (também conhecidas como células T ), as toma e se multiplica. Isso destrói mais células T, o que prejudica a capacidade do organismo de combater germes e doenças invasoras.

Quando o número de células T cai para um nível muito baixo, as pessoas com HIV tornam-se mais suscetíveis a outras infecções. Eles também podem ter certos tipos de câncer que um corpo saudável normalmente seria capaz de combater. Essa imunidade enfraquecida (ou imunodeficiência ) é conhecida como AIDS.

Embora a AIDS seja sempre causada por uma infecção pelo HIV, nem todos com HIV têm AIDS.

 

Infecções causadas pelo baixo nível de células T

Uma infecção oportunista é uma infecção causada por micro-organismos que se aproveitam da debilidade das defesas do organismo para causar dano. Infecções oportunistas ocorrem em pessoas com sistemas imunológicos comprometidos, permitindo que tais organismos causem uma infecção generalizada.

São elas:

infecções virais, como uma forma de pneumonia crônica da marcha chamada pneumonia intersticial linfoide (LIP), vírus herpes simplex, herpes zoster e infecção por citomegalovírus

  • infecções parasitárias, como a PCP (uma pneumonia causada por Pneumocystis jirovecii, um parasita microscópico que não pode ser combatido devido a um sistema imunológico enfraquecido) e toxoplasmose
  • infecções bacterianas graves, como meningite bacteriana, tuberculose e salmonelose
  • infecções fúngicas, como esofagite (inflamação do esôfago) e candidíase(infecção por fungos)

 

A baixa imunidade permite o aparecimento de doenças oportunistas, com isso, atinge-se o estágio mais avançado da doença, a aids. Quem chega a essa fase, por não saber da sua infecção ou não seguir o tratamento indicado pela equipe de saúde, pode sofrer de hepatites virais, tuberculose, pneumonia, toxoplasmose e alguns tipos de câncer. Por isso, sempre que você transar sem camisinha ou passar por alguma outra situação de risco, procure uma unidade de saúde imediatamente, informe-se sobre a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e faça o teste.

 

Pré-natal

Durante a gestação e no parto, pode ocorrer a transmissão do HIV (vírus causador da aids), e também da sífilis e da hepatite B para o bebê. O HIV também pode ser transmitido durante a amamentação. Por isso as gestantes, e também suas parcerias sexuais, devem realizar os testes para HIV, sífilis e hepatites durante o pré-natal e no parto.

O diagnóstico e o tratamento precoce podem garantir o nascimento saudável do bebê. Informe-se com um profissional de saúde sobre a testagem.

Que testes a gestante deve realizar no pré-natal?

  • Nos três primeiros meses de gestação: HIV, sífilis e hepatites.
  • Nos três últimos meses de gestação: HIV e sífilis.
  • Em caso de exposição de risco e/ou violência sexual: HIV, sífilis e hepatites.
  • Em caso de aborto: sífilis.

Os testes para HIV e para sífilis também devem ser realizados no momento do parto, independentemente de exames anteriores. O teste de hepatite B também deve ser realizado no momento do parto, caso a gestante não tenha recebido a vacina.

E se o teste for positivo para o HIV durante a gestação?

As gestantes que forem diagnosticadas com HIV durante o pré-natal têm indicação de tratamento com os medicamentos antirretrovirais durante toda gestação e, se orientado pelo médico, também no parto. O tratamento previne a transmissão vertical do HIV para a criança.

O recém-nascido deve receber o medicamento antirretroviral (xarope) e ser acompanhado no serviço de saúde. Recomenda-se também a não amamentação, evitando a transmissão do HIV para a criança por meio do leite materno

 

Tratamento

Os medicamentos antirretrovirais (ARV) surgiram na década de 1980 para impedir a multiplicação do HIV no organismo. Esses medicamentos ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico. Por isso, o uso regular dos ARV é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o número de internações e infecções por doenças oportunistas.

Desde 1996, o Brasil distribui gratuitamente os ARV a todas as pessoas vivendo com HIV que necessitam de tratamento. Atualmente, existem 22 medicamentos, em 38 apresentações farmacêuticas, conforme relação abaixo:

Item Descrição Unidade de fornecimento
1 Abacavir (ABC) 300mg Comprimido revestido
2 Abacavir (ABC) solução oral Frasco
3 Atazanavir (ATV) 200mg Cápsula gelatinosa dura
4 Atazanavir (ATV) 300mg Cápsula gelatinosa dura
5 Darunavir (DRV) 75mg Comprimido revestido
6 Darunavir (DRV) 150mg Comprimido revestido
7 Darunavir (DRV) 600mg Comprimido revestido
8 Dolutegravir (DTG) 50mg Comprimido revestido
9 Efavirenz (EFZ) 200mg Cápsula gelatinosa dura
10 Efavirenz (EFZ) 600mg Comprimido revestido
11 Efavirenz (EFZ) solução oral Frasco
12 Enfuvirtida (T20) Frasco-ampola
13 Entricitabina 200mg + tenofovir 300mg Comprimido revestido
14 Estavudina (d4T) pó para solução oral Frasco
15 Etravirina (ETR) 100mg Comprimido revestido
16 Etravirina (ETR) 200mg Comprimido revestido
17 Fosamprenavir (FPV) 50mg/mL Frasco
18 Lamivudina (3TC) 150mg Comprimido revestido
19 Lamivudina 150mg + zidovudina 300mg (AZT + 3TC) Comprimido revestido
20 Lamivudina (3TC) solução oral Frasco
21 Lopinavir 100mg + ritonavir 25mg (LPV/r) Comprimido revestido
22 Lopinavir 80mg/mL + ritonavir 20mg/mL (LPV/r solução oral) Frasco
23 Lopinavir/ritonavir (LPV/r) 200mg + 50mg Comprimido revestido
24 Maraviroque (MVC) 150mg Comprimido revestido
25 Nevirapina (NVP) 200mg Comprimido simples
26 Nevirapina (NVP) suspensão oral Frasco
27 Raltegravir (RAL) 100mg Comprimido mastigável
28 Raltegravir (RAL) 400mg Comprimido revestido
29 Ritonavir (RTV) 100mg Comprimido revestido
30 Ritonavir (RTV) 80mg/mL Frasco
31 Tenofovir (TDF) 300mg Comprimido revestido
32 Tenofovir 300mg + lamivudina 300mg Comprimido revestido
33 Tenofovir 300mg + lamivudina 300mg + efavirenz 600mg Comprimido revestido
34 Tipranavir (TPV) 100mg/mL Frasco
35 Tipranavir (TPV) 250mg Cápsula gelatinosa mole
36 Zidovudina (AZT) 100mg Cápsula gelatinosa dura
37 Zidovudina (AZT) solução injetável Frasco-ampola
38 Zidovudina (AZT) xarope Frasco

 

Para saber mais:

http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/aids

http://giv.org.br/HIV-e-AIDS/Medicamentos/index.html

http://www.repositorio.unb.br/bitstream/10482/6019/1/ARTIGO_CriancasAdolescentesHIV.pdf